A deputada que virou alvo da esquerda que a criou
Como o projeto de lei que equipara críticas a Israel ao crime de antissemitismo transformou a ex-queridinha da esquerda no alvo número um do campo progressista
Tabata Amaral em evento do Comitê Judaico Americano (AJC)
A deputada que virou alvo da esquerda que a criou
Tabata Amaral construiu sua trajetória como símbolo de renovação progressista. Jovem, negra, formada em Harvard com bolsa da Fundação Estudar — braço social de Jorge Paulo Lemann, o bilionário mais rico do Brasil —, ela reunia tudo o que o campo de centro-esquerda queria apresentar como novo.
O estopim da ruptura veio em março de 2026. Tabata apresentou o PL 1424/2026, que adota os parâmetros da IHRA — Aliança Internacional para a Memória do Holocausto — na definição de antissemitismo para orientar políticas públicas brasileiras. O projeto foi assinado por 45 deputados. Em menos de uma semana, pelo menos cinco parlamentares pediram a retirada de suas assinaturas diante da repercussão negativa.
O problema central: a definição da IHRA já havia sido rejeitada pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos por conter "restrições flagrantemente inconstitucionais ao direito fundamental de liberdade de expressão". E o próprio Brasil havia se retirado da IHRA em 2025.
O jornalista Glenn Greenwald, ele próprio judeu, foi direto: "O lobby tem uma deputada de centro-esquerda, formada em Harvard, neoliberal e fantoche, agora tentando impor as mesmas leis de censura da IHRA que Trump impôs às universidades americanas."
A conexão com Lemann é mencionada por críticos como parte de um padrão: uma deputada formada pelo capital privado com agendas que nem sempre coincidem com a base que a elegeu. O espaço que ela ocupava está ficando mais estreito — e a esquerda não está disposta a acompanhá-la.