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Alexandre de Moraes, o centro que cresceu demais e agora incomoda

O ministro Alexandre de Moraes não surgiu da esquerda. Indicado ao Supremo Tribunal Federal por Michel Temer, Moraes sempre foi associado ao campo do centro político.

Ana Schumann 28 Dec 2025
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Próximo de figuras como Gilberto Kassab, e distante da militância histórica do Partido dos Trabalhadores. Em 2017, chegou a ser alvo de ataques públicos do próprio PT.

A virada ocorreu quando interesses convergiram. No contexto do embate institucional com o bolsonarismo, prevaleceu a lógica segundo a qual “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Setores da esquerda passaram a ver em Moraes uma peça central para neutralizar Jair Bolsonaro e seu entorno. A aliança foi tática, não ideológica.

O problema, segundo fontes ouvidas pela Not Journal, é que Moraes cresceu rápido demais. Ganhou protagonismo, poder e centralidade em um intervalo curto de tempo. Paralelamente, sua família ampliou patrimônio e influência, o que passou a gerar desconforto em setores tradicionais do establishment político e econômico.

Nos bastidores, fontes descrevem a existência de pactos históricos entre grandes grupos financeiros e de mídia. Nomes como André Esteves, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Grupo Globo são frequentemente citados como atores que se ajudam e se protegem em momentos-chave do sistema.

A pergunta que circula em Brasília e na Faria Lima é direta: por que grupos que antes apoiavam ou toleravam Moraes agora parecem interessados em enfraquecê-lo? Para essas fontes, o receio é que o ministro tenha se tornado grande demais e imprevisível, inclusive ao interferir em disputas que afetam interesses econômicos sensíveis.

O caso do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, é visto como especialmente delicado. Trata-se de um banco com forte presença no meio político, com relações que atravessam partidos e governos. Vorcaro, descrito por fontes como alguém de direita, teria acumulado poder suficiente para incomodar rivais estabelecidos, muitos deles associados à esquerda institucional e ao sistema financeiro tradicional.

No pano de fundo, há um paradoxo. O atual arranjo econômico, com juros elevados e forte concentração bancária, tem sido extremamente favorável aos grandes bancos. O governo Lula, segundo analistas, nunca foi tão lucrativo para o sistema financeiro. Ainda assim, as disputas de bastidores se intensificam.

O risco, apontam economistas e interlocutores do mercado, é que a complacência das elites com esse modelo aprofunde desequilíbrios. A economia não vai bem para a indústria, para o investimento produtivo ou para a maioria da população. No longo prazo, a instabilidade institucional cobra seu preço.

No caso Master, uma conclusão se impõe: há poucos inocentes. Quase todos os atores relevantes, de alguma forma, se sujaram. A briga não é moral. É por poder, influência e controle de um sistema que beneficia poucos e pressiona muitos.

A Not Journal segue apurando os fatos, ouvindo todos os lados e acompanhando os desdobramentos com independência editorial.

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