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Criptomoedas impulsionam doações a ONGs no Brasil

Stablecoins facilitam o envio de recursos internacionais, superando barreiras burocráticas e regulatórias.

Not Journal 19 May 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Stablecoins facilitam o envio de recursos internacionais, superando barreiras burocráticas e regulatórias.

A utilização de stablecoins está revolucionando o cenário de doações internacionais para organizações não governamentais (ONGs) no Brasil. A nova modalidade, que ganhou força nos últimos meses, permite que entidades estrangeiras destinem recursos de forma mais ágil e transparente, contornando as tradicionais dificuldades impostas pelo sistema financeiro.

O principal atrativo das stablecoins reside na sua estabilidade, atrelada a moedas fiduciárias como o dólar americano. Essa característica minimiza a volatilidade associada a outras criptomoedas, conferindo maior segurança e previsibilidade às transações. Além disso, a tecnologia blockchain subjacente garante rastreabilidade e transparência, permitindo que tanto doadores quanto beneficiários acompanhem o fluxo dos recursos em tempo real.

Para as ONGs brasileiras, a abertura para doações em stablecoins representa uma oportunidade de diversificar suas fontes de financiamento e ampliar o alcance de seus projetos. Muitas dessas organizações enfrentam dificuldades para acessar recursos internacionais devido a entraves burocráticos, altas taxas de câmbio e complexidades regulatórias. As stablecoins simplificam o processo, reduzindo custos e prazos, e permitindo que as ONGs concentrem seus esforços em suas atividades principais.

A adoção das stablecoins também impulsiona a inclusão financeira, especialmente em regiões remotas ou com acesso limitado a serviços bancários tradicionais. Através de carteiras digitais, indivíduos e comunidades podem receber doações diretamente, sem a necessidade de intermediários financeiros. Essa descentralização do processo democratiza o acesso a recursos e fortalece a autonomia das organizações locais.

O movimento coincide com um período de aquecimento no mercado de fintechs e investimentos. A XP Inc., por exemplo, anunciou recentemente a contratação de Gustavo Alejo, ex-Santander, como seu novo CFO, sinalizando um momento de expansão e reestruturação interna. Da mesma forma, a Stone, após um período de turbulência no mercado, demonstrou sinais de recuperação, com suas ações registrando alta significativa. A Z.ro Global Payments também expandiu suas operações, adquirindo a Paag e criando uma divisão focada no crescente mercado de iGaming.

Apesar dos benefícios evidentes, a utilização de stablecoins para doações internacionais também apresenta desafios. A falta de regulamentação específica no Brasil e em outros países pode gerar incertezas jurídicas e dificultar a fiscalização das transações. Além disso, a necessidade de conhecimento técnico para operar com criptomoedas pode ser uma barreira para algumas ONGs e doadores.

Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam que as ONGs busquem orientação jurídica e contábil especializada, além de investir em treinamento para seus colaboradores. É fundamental também que as plataformas de doação em stablecoins adotem medidas de segurança robustas e cumpram as normas de combate à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.

O Banco Central do Brasil tem acompanhado de perto a evolução do mercado de criptoativos e estuda a criação de um ambiente regulatório que incentive a inovação, ao mesmo tempo em que protege os investidores e garante a estabilidade do sistema financeiro. A expectativa é que, nos próximos anos, novas regulamentações e diretrizes sejam estabelecidas para o uso de stablecoins em doações e outras atividades financeiras.

A tendência de utilização de stablecoins para doações internacionais representa um marco importante no setor filantrópico brasileiro. Ao facilitar o acesso a recursos, promover a transparência e impulsionar a inclusão financeira, essa tecnologia tem o potencial de transformar a forma como as ONGs operam e impactam a sociedade. O desafio agora é garantir que essa inovação seja utilizada de forma responsável e sustentável, em benefício de todos.

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