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Dólar sobe com incertezas políticas e externas

Moeda americana sobe com incertezas eleitorais no Brasil e tensões no Oriente Médio.

Not Journal 24 Aug 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Cenário eleitoral brasileiro e conflito no Oriente Médio pressionam a moeda americana, que abre em alta nesta sexta-feira (24).

O mercado financeiro brasileiro opera com apreensão nesta sexta-feira (24), refletindo um cenário de incertezas que combina a proximidade das eleições gerais no país com a escalada das tensões no Oriente Médio. O dólar americano abriu o dia em alta, impulsionado por esses fatores de risco que tendem a aumentar a demanda pela moeda estrangeira como porto seguro.

A instabilidade política interna, com o período eleitoral em curso, gera dúvidas sobre a continuidade das políticas econômicas e a trajetória fiscal do país. Investidores observam atentamente os desdobramentos da campanha, as pesquisas de intenção de voto e as propostas dos candidatos, buscando sinais de previsibilidade e estabilidade para os próximos anos. Qualquer notícia que aponte para um cenário de maior radicalização ou incerteza institucional tende a impactar negativamente o humor do mercado e, consequentemente, a cotação do dólar.

Paralelamente, a eclosão e a evolução do conflito no Oriente Médio adicionam uma camada extra de volatilidade aos mercados globais. A região é estratégica para o fornecimento de petróleo, e qualquer interrupção ou ameaça à produção e ao transporte do insumo pode levar a um aumento significativo nos preços do barril. Essa elevação do petróleo, por sua vez, impacta diretamente os custos de produção e logística em todo o mundo, alimentando pressões inflacionárias e desacelerando o crescimento econômico global. Para economias emergentes como o Brasil, a alta do petróleo pode significar um aumento na conta de importação de combustíveis e um impacto na inflação doméstica, forçando o Banco Central a considerar medidas mais restritivas para conter os preços.

A combinação desses dois vetores de incerteza – doméstica e internacional – cria um ambiente propício para a valorização do dólar. Em momentos de aversão ao risco, investidores tendem a migrar para ativos considerados mais seguros, como o dólar e títulos do Tesouro americano, o que eleva a demanda pela moeda e, consequentemente, seu preço em relação a outras divisas, como o real.

No âmbito econômico doméstico, o Brasil se prepara para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027, um evento que já começa a atrair a atenção de marcas interessadas em atingir um público mais jovem. Um estudo recente aponta que a geração Z acompanha grandes eventos esportivos de forma fragmentada, utilizando streaming, redes sociais e influenciadores digitais. Essa dinâmica sugere que as estratégias de marketing para o evento precisarão ir além da publicidade tradicional, explorando novas plataformas e formatos para engajar essa audiência. Embora este evento seja um ponto positivo para a imagem do país e possa gerar algum fluxo de capital, seu impacto imediato na cotação do dólar é marginal quando comparado às pressões conjunturais mais amplas.

Outros setores da economia brasileira também enfrentam seus próprios desafios. No setor de energia, por exemplo, a Aneel negou um pedido da Scala Data Centers relacionado a um projeto no Rio Grande do Sul, embora a empresa conte com uma liminar a seu favor. Essas decisões regulatórias, embora específicas, refletem o ambiente de negócios e a burocracia que podem influenciar investimentos em infraestrutura e tecnologia. Paralelamente, no agronegócio, a Expointer abriu seus portões para a chegada dos primeiros animais, um evento tradicional que demonstra a força do setor, mas que também está sujeito às flutuações do mercado internacional e às políticas comerciais.

O fechamento da semana para o mercado de câmbio, portanto, será marcado pela vigilância dos investidores sobre os desdobramentos políticos no Brasil e a evolução do conflito no Oriente Médio. A ausência de sinais claros de resolução para essas tensões sugere que o dólar pode manter sua trajetória de alta ou, no mínimo, apresentar volatilidade elevada nos próximos dias. A capacidade do futuro governo em apresentar um plano econômico consistente e a evolução da diplomacia internacional serão fatores cruciais para determinar a direção da moeda americana no médio prazo.

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