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El Niño ameaça alta de 20% em alimentos

Fenômeno climático acende alerta para a economia, com potencial para encarecer alimentos e pressionar a inflação.

Not Journal 23 Aug 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Fenômeno climático pode pressionar a inflação, alertam economistas. Aumento nos custos de produção e escassez de produtos são os principais receios.

O fenômeno climático El Niño, conhecido por suas fortes influências no regime de chuvas e temperaturas em diversas partes do mundo, acende um alerta para a economia brasileira. Especialistas preveem que o evento pode levar a um encarecimento de alimentos em até 20%, impactando diretamente a cesta básica dos consumidores e exercendo pressão sobre a taxa de inflação geral do país. A preocupação reside na potencial quebra de safras e na dificuldade de produção agrícola em decorrência das alterações climáticas.

A dinâmica do El Niño costuma se manifestar através de secas em algumas regiões e chuvas intensas em outras, afetando diretamente a produtividade de culturas essenciais para a alimentação. No Brasil, por exemplo, a região Nordeste pode sofrer com a escassez de chuvas, prejudicando o plantio e a colheita de grãos e hortaliças, enquanto o Sul pode enfrentar excesso de precipitação, com riscos de inundações e perdas de lavouras. Essa instabilidade climática gera incertezas no planejamento agrícola e eleva os custos de produção, seja pela necessidade de irrigação adicional em períodos de seca, seja pela perda de insumos e da própria produção em casos de excesso de chuvas.

Economistas consultados pelo G1 Economia apontam que o aumento nos custos de produção se reflete diretamente no preço final dos produtos. A menor oferta de determinados alimentos, combinada com uma demanda que tende a se manter estável ou até mesmo aumentar em alguns casos, cria um cenário propício para a elevação dos preços. A projeção de até 20% de aumento em alguns itens da cesta básica é um indicativo da gravidade do impacto esperado. Alimentos como arroz, feijão, milho, carnes e laticínios, que dependem diretamente das condições climáticas para sua produção, são os mais vulneráveis a essas flutuações.

Além do impacto direto nos preços dos alimentos, o El Niño pode gerar efeitos secundários na economia. A alta nos custos de produção agrícola pode levar a uma redução no poder de compra das famílias, forçando-as a priorizar gastos essenciais e a cortar despesas não indispensáveis. Isso pode afetar outros setores do comércio e dos serviços. Ademais, a instabilidade climática pode desencadear um ciclo inflacionário mais amplo, onde o aumento no preço dos alimentos pressiona outros índices de custo de vida, exigindo respostas do Banco Central para conter a escalada inflacionária.

Em um contexto global, a instabilidade climática tem sido um fator recorrente de preocupação. A União Europeia, por exemplo, tem observado um aumento na circulação de dinheiro em espécie, impulsionado por receios relacionados a guerras, desastres e ciberataques, o que demonstra uma busca por segurança em tempos de incerteza. Embora este cenário europeu seja distinto do impacto direto do El Niño nos alimentos, ele reflete uma tendência de maior cautela e planejamento em face de eventos disruptivos. A necessidade de estocar alimentos e água por 72 horas, recomendada por alguns governos europeus, sinaliza a importância da resiliência em cadeias de suprimentos e na vida cotidiana diante de imprevistos.

No Brasil, a agricultura é um dos pilares da economia, e sua vulnerabilidade a eventos climáticos extremos como o El Niño exige atenção. A diversificação de culturas, o investimento em tecnologias de irrigação e manejo sustentável do solo, e a criação de mecanismos de seguro agrícola são medidas que podem ajudar a mitigar os impactos negativos. A antecipação e o monitoramento constante das previsões climáticas são cruciais para que produtores e o governo possam traçar estratégias de adaptação e minimizar as perdas.

O desafio para os próximos meses será gerenciar os efeitos do El Niño sobre a produção de alimentos e, consequentemente, sobre a inflação. A capacidade de resposta do setor produtivo e das políticas econômicas será fundamental para garantir o abastecimento e a estabilidade de preços, protegendo o poder de compra da população brasileira em um cenário de crescente volatilidade climática. A perspectiva de um aumento de até 20% nos custos de alimentos é um sinal claro de que a natureza continuará a ditar ritmos importantes na economia.

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