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Flávio Bolsonaro deixa de ser aposta simbólica

Após reação negativa inicial do Ibovespa, senador adota discurso pragmático e passa a ser visto por banqueiros como nome competitivo contra Lula em 2026.

Ana Schumann 12 Feb 2026
Direita reorganiza forças e mercado começa a levar Flávio a sério

Direita reorganiza forças e mercado começa a levar Flávio a sério

Meses atrás, quando Jair Bolsonaro divulgou uma carta indicando Flávio Bolsonaro como seu principal representante político para as eleições presidenciais, a reação inicial foi de desconfiança. O mercado financeiro interpretou o movimento como improvisado. Naquele período, o Ibovespa registrou queda, refletindo o receio de investidores diante da incerteza política.

Nos bastidores, analistas classificaram o gesto como uma jogada tática. Parte do mercado enxergou a carta como uma estratégia para pressionar o Centrão, ampliar poder de negociação no Congresso e manter influência no debate eleitoral. Outros viram o movimento como um gesto simbólico, sem efeito prático imediato.

Desde então, o cenário mudou.

Nas últimas semanas, Flávio tem adotado um discurso mais pragmático em entrevistas e aparições públicas. Ao tratar de temas como responsabilidade fiscal, relação com o setor produtivo e estabilidade institucional, o senador passou a demonstrar uma postura mais moderada e previsível — característica valorizada por investidores.

Segundo interlocutores do mercado financeiro, o tom técnico e menos ideológico contribuiu para uma reavaliação de seu perfil. Gestores, banqueiros e empresários passaram a observar sua trajetória com maior atenção, especialmente diante da fragmentação da direita e da busca por um nome competitivo.

Em conversas reservadas, representantes do setor financeiro avaliam que Flávio deixou de ser visto apenas como herdeiro político e passou a ser encarado como um ator com autonomia própria. A mudança de percepção tem ampliado sua aceitação em círculos antes reticentes.

Pesquisas internas e projeções de consultorias indicam que, em um cenário de segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio pode se tornar competitivo, sobretudo entre eleitores de centro-direita e indecisos.

Para parte do mercado, a combinação entre capital político herdado, discurso ajustado e pragmatismo institucional pode transformar o senador em uma alternativa viável em 2026.

A trajetória recente sugere que, mais do que um movimento simbólico, a candidatura passou a ser tratada como um projeto real de poder — com impactos diretos sobre o humor dos investidores e o tabuleiro eleitoral.

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