João Moreira Salles, o herdeiro bilionário por trás da influente Revista Piauí
Herdeiro do Itaú com fortuna de bilhões financia jornalismo investigativo profundo, expondo escândalos de elites no Brasil.
Controlador da revista "independente"
João Moreira Salles, nascido em 1962 no Rio de Janeiro, é um documentarista renomado e presidente do Instituto Moreira Salles, mas seu legado no jornalismo brasileiro se consolida com a fundação da Revista piauí em 2006. Sua carreira como cineasta inclui obras premiadas como o documentário "Santiago" (2007), que explora a memória e o passado familiar através de um mordomo, e "Nelson Freire" (2003), um retrato íntimo do pianista brasileiro. Salles também dirigiu "No Intenso Agora" (2017), analisando revoluções dos anos 1960, e contribuiu para projetos como "Entreatos" (2004), sobre a campanha de Lula. Como herdeiro do império bancário Itaú Unibanco, sua fortuna é estimada em cerca de US$ 4,5 bilhões em 2025, derivada principalmente de ações no banco e investimentos em mineração, parte da herança familiar que totaliza bilhões. A família Moreira Salles gerencia um family office com ativos de quase US$ 11 bilhões, expandindo investimentos globais.
Salles usou seus recursos para criar a piauí, uma publicação dedicada ao jornalismo de longa forma, inspirada em revistas como The New Yorker, priorizando apuração profunda e narrativas nonfiction sobre hard news diária. A revista, editada pela Editora Alvinegra e distribuída pela Editora Abril, surgiu do desejo de Salles e um grupo de jornalistas de preencher o vácuo de reportagens investigativas no Brasil, permitindo matérias que levam até um ano para serem produzidas. O crescimento da piauí é notável em um cenário de declínio jornalístico: enquanto muitas publicações priorizam cliques e velocidade, ela se destaca pela qualidade, financiada principalmente pelos recursos de Salles, sem depender exclusivamente de assinaturas ou anúncios. Sua influência se expande em coberturas culturais, políticas e sociais, tornando-se uma exceção no Brasil, com edições digitais aprimoradas por tecnologias como Branded Editions.
A revista publica artigos traduzidos para o inglês, ampliando seu alcance global, e colabora com eventos como "piauí na universidade" para debater seu futuro. Sua força investigativa é evidente em exposições contra empresários, políticos e influenciadores. Em 2024, a reportagem "Alta tensão" detalhou as operações nebulosas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que multiplicou o tamanho da instituição em cinco anos com negócios de risco e parceiros controversos, incluindo acusações de fraude em fundos previdenciários. Recentemente, cobriu o advogado Nelson Willians, o "advogado da ostentação", com apreensões de luxo pela PF em sua mansão – quadros, bebidas e até um boné trumpista – sob suspeita de lavagem de dinheiro e fraudes no INSS, incluindo uma Ferrari que escapou da operação.
No caso de Alex Allard e o Hotel Rosewood (parte do complexo Cidade Matarazzo), a piauí revelou denúncias de assédio sexual e xenofobia, incluindo casos não acatados pela justiça, como um incidente de "apenas 4 segundos", e as peripécias do "rei Allard XIV" em um projeto bilionário marcado por controvérsias societárias e diluições de participação. O controle da piauí é estratégico: fundada por Salles como projeto cultural do Instituto Moreira Salles, uma organização familiar que financia iniciativas culturais, o modelo garante independência editorial. Isso evita pressões comerciais, permitindo investigações ousadas, embora críticos notem o financiamento familiar como fator de sustentabilidade em um mercado hostil.
Nas redes sociais, a piauí gera debates: no X, usuários elogiam sua apuração séria, como "a única exceção no jornalismo brasileiro", enquanto outros questionam o viés familiar, com memes ironizando "baseada família bilionária". Posts recentes destacam coberturas como obituários e listas de "traidores da pátria", misturando admiração e críticas.