Luiza Trajano: Faz um ano que espero pelo corte dos juros
Presidente do Conselho do Magazine Luiza critica Selic alta e seus impactos, especialmente em pequenos negócios.
A presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, Luiza Trajano, expressou sua preocupação com a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, afirmando que aguarda há um ano por um corte que possa impulsionar a economia brasileira. Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Trajano destacou os efeitos negativos da política monetária restritiva, em vigor desde junho do ano anterior, com a Selic estacionada em 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas.
A declaração de Trajano ocorre em um momento de expectativa em relação à próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual se espera uma possível redução da taxa básica de juros. Questionada sobre suas expectativas para a reunião, a executiva foi enfática: "Tomara". A manutenção da Selic em níveis tão altos tem sido alvo de críticas de diversos setores da economia, que apontam para o impacto negativo no consumo, nos investimentos e, consequentemente, no crescimento do país.
Trajano ressaltou que os juros elevados são particularmente prejudiciais aos pequenos e médios negócios, que enfrentam dificuldades para acessar crédito e manter suas operações. "Juro alto para o pequeno e o médio é terrível", enfatizou. A alta taxa de juros dificulta o acesso ao capital de giro, essencial para o dia a dia das empresas menores, e impede a realização de investimentos que poderiam gerar empregos e renda.
A executiva, no entanto, enfatizou que toda a economia brasileira sofre com a política monetária restritiva. O encarecimento do crédito afeta o consumo das famílias, que adiam a compra de bens duráveis e outros produtos, impactando o desempenho do varejo e da indústria. Além disso, a alta taxa de juros torna os investimentos menos atrativos, desestimulando a expansão da capacidade produtiva e a geração de novos empregos.
Caso o Copom decida, de fato, iniciar o ciclo de corte de juros, Trajano acredita que a medida trará alívio tanto para as grandes quanto para as pequenas empresas. Para as grandes, a redução da Selic representaria um desafogo nos seus balanços, aliviando o peso das dívidas e permitindo a retomada de investimentos. Para as pequenas, o corte de juros significaria um alívio no capital de giro, facilitando o acesso ao crédito e permitindo a manutenção das operações.
A expectativa em torno da decisão do Copom é grande, e a declaração de Luiza Trajano reforça a pressão para que o Banco Central inicie um ciclo de afrouxamento monetário. A redução da Selic é vista como fundamental para impulsionar a retomada do crescimento econômico, gerar empregos e melhorar o ambiente de negócios no país. A manutenção da taxa em patamares elevados, por outro lado, pode prolongar o período de dificuldades e comprometer a recuperação da economia brasileira.
O mercado aguarda ansiosamente a decisão do Copom, na esperança de que o Banco Central adote uma postura mais favorável ao crescimento econômico e inicie um ciclo de corte de juros que possa beneficiar todos os setores da economia brasileira. A declaração de Luiza Trajano ecoa o sentimento de muitos empresários e economistas, que defendem a necessidade de uma política monetária mais flexível para impulsionar o desenvolvimento do país.