Notícias 24h no WhatsApp

Assine o Not Journal

Receba notícias em tempo real, análises profissionais e acesso ao Terminal Web.

Plano Básico
WhatsApp + Terminal básico
R$19,90 /mês
WhatsApp 24 Horas
Notícias por temas
Terminal Web básico
Começar Agora
Plano Completo
WhatsApp + Terminal Premium
R$299,90 /mês
Tudo do Básico
Terminal Web completo
Análises profissionais
Começar Agora

Moraes disse a Galípolo que Vorcaro era e é perseguido por grandes bancos

O cerne da questão envolvia a alegação do banqueiro de que sua instituição estava sendo perseguida por tomar espaço dos grandes bancos, argumento que chegou a ser repetido por Moraes

Not Journal 22 Dec 2025
‎

O destino do Banco Master, de Daniel Vorcaro, tornou-se o palco de uma intensa disputa de poder e revelou um forte esquema de pressão política em Brasília. O cerne da questão envolvia a alegação do banqueiro de que sua instituição estava sendo perseguida por tomar espaço dos grandes bancos — argumento que chegou a ser repetido pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF, em conversas diretas com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.

O Eixo da Pressão: Moraes e o Contrato Milionário

As intervenções do Ministro Moraes, que procurou Galípolo pelo menos quatro vezes, buscando a aprovação da venda do Master para o BRB, lançaram luz sobre um conflito de interesses.

O escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, detinha um contrato de R$ 3,6 milhões mensais (totalizando cerca de R$ 130 milhões) com o Banco Master. A missão contratual era exatamente representar os interesses do banco e de Vorcaro junto a órgãos reguladores, como o Banco Central, a Receita Federal e o Cade.

Apesar da alegação de perseguição e da alta remuneração, tanto o BC quanto o Cade informaram, via Lei de Acesso à Informação, que o escritório nunca chegou a protocolar petições ou pedidos formais de reunião em favor do Master.

A Revelação da Fraude e a Liquidação

Apesar da intensa pressão política, a verdade operacional do banco veio à tona. Técnicos do BC, que alegaram nunca ter sofrido tanta influência política em favor de uma única instituição, descobriram uma fraude de R$ 12,2 bilhões no repasse de créditos do Master para o BRB.

Quando confrontado com essa informação por Galípolo, o próprio Ministro Moraes reconheceu que, se a fraude fosse comprovada, o negócio de venda não poderia ser aprovado.

O desfecho foi rápido:

  • Prisões: A Polícia Federal prendeu Vorcaro e outros seis executivos acusados de envolvimento nas fraudes.

  • Liquidação: O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

A Blindagem do BC e a Tensão Reguladora

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, que relatou ter sofrido pressão, agiu para blindar a instituição e os técnicos. Em entrevista, ele enfatizou que “documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens…”, mostrando que a instituição registrou todos os movimentos, inclusive os de políticos interessados no caso.

Ainda há uma tensão entre os técnicos do BC, que temem intimidação ao serem chamados para depor no processo, cuja competência foi avocada pelo STF, sob sigilo total. O caso demonstra como a suposta perseguição do mercado, usada como justificativa, esbarrou em evidências concretas de fraude e má gestão que resultaram na queda da instituição.

Compartilhar