O candidato que Lula não esperava
O fundador do MBL virou o candidato de maior crescimento entre a Geração Z — e isso já incomoda o PT
A Geração Z tem um novo nome: Renan Santos
RENAN SANTOS CONQUISTA OS JOVENS E JÁ PREOCUPA A LIDERANÇA PETISTA
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada ontem, 25 de março, trouxe um dado que ninguém no Planalto consegue ignorar: Renan Santos, presidente do partido Missão, foi o candidato que mais avançou entre os jovens, registrando crescimento de 8,8 pontos percentuais — de 15,9% em fevereiro para 24,7% em março na faixa de 16 a 24 anos.
Nesse grupo etário, Renan se aproxima perigosamente de Lula, que tem 28,6% das intenções de voto entre os jovens — bem abaixo da média de 45% que o presidente registra no eleitorado geral. No quadro geral, Renan aparece em terceiro lugar no primeiro turno com 4,4%, à frente de Caiado (3,7%) e Zema (3,1%).
O fenômeno não passa despercebido no PT. O salto na desaprovação de Lula entre jovens — 14,1 pontos a mais — acende um alerta no governo. Renan e o MBL têm combinado presença intensa nas redes com mobilização de rua, especialmente nas manifestações contra o escândalo do Banco Master.
Empresários ouvidos pela Not Journal elogiam o crescimento, mas fazem ressalvas. "Ele tem discurso, tem presença digital e claramente conquistou uma geração. Mas falta estrutura política, articulação com o Congresso e base de apoio para sustentar uma candidatura real", diz um executivo do setor financeiro que pediu para não ser identificado. Outro interlocutor do mundo empresarial vai na mesma linha: "Tem futuro, sem dúvida. Mas 2026 pode ser cedo."
O dado que equilibra o entusiasmo: 46,5% dos eleitores afirmam que não votariam em Renan Santos sob nenhuma circunstância — a quarta maior rejeição entre os candidatos testados. Visibilidade e rejeição, por ora, caminham juntas.