O capital francês faz seu hedge
Bernard Arnault janta com Le Pen pela primeira vez. A um ano das presidenciais, a elite não aposta mais só em Macron.
Marine Le Pen (Credit: Getty images)
O jantar que mudou o mapa político da França
Na terça-feira, 7 de abril, Marine Le Pen jantou no Drouant, um dos restaurantes mais discretos de Paris, com cerca de quinze dos executivos mais influentes do CAC 40. Bernard Arnault, da LVMH, estava presente. Patrick Pouyanné, da TotalEnergies, também. Cyrille Bolloré, Catherine MacGregor, da Engie, e Sébastien Bazin, do Accor, completavam a mesa. O encontro não constava de nenhuma agenda pública. O Le Nouvel Obs revelou o jantar dois dias depois.
A presença de Arnault é o dado que muda a leitura do episódio. Apoiador histórico de Macron e a maior fortuna da França, ele havia recusado sistematicamente qualquer contato com o Rassemblement National. Aceitar o convite agora não é um gesto ideológico — é um cálculo. Com Le Pen liderando as pesquisas para 2027 e o ciclo Macron se encerrando, parte do empresariado francês está abrindo canais com quem tem real chance de chegar ao Élysée.
Em janeiro, Jordan Bardella já havia almoçado com um dos filhos de Arnault. O jantar de abril foi o próximo passo. O tema da mesa, segundo participantes ouvidos pelo Nouvel Obs, foi geopolítica e economia. O que ficou por dizer é que o grande capital francês não aposta mais em candidato único — e Le Pen já sabe disso.