A esquerda norueguesa taxou os bilionários, e eles foram para a Suíça
A Noruega, uma das nações mais prósperas do continente, se prepara para eleições em que o imposto sobre riqueza ocupa o centro da agenda política.
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Eleição na Noruega: imposto sobre riqueza domina debate e pode definir pleito
O país mais rico da Europa em disputa fiscal
A Noruega, uma das nações mais prósperas do continente, se prepara para eleições em que o imposto sobre riqueza ocupa o centro da agenda política. A medida, fortalecida pelo atual governo de centro-esquerda, levou centenas de milionários e herdeiros a transferirem residência para a Suíça. Agora, virou bandeira da oposição conservadora, que busca retomar o poder prometendo aliviar a carga tributária.
O que está em jogo
Êxodo de milionários: O banco DNB estima que cerca de 500 noruegueses com patrimônio acima de 2 milhões de francos suíços migraram para a Suíça em reação ao tributo.
Disputa eleitoral: Erna Solberg (Conservadores) e Sylvi Listhaug (Partido do Progresso) defendem mudanças para tornar o país “atraente a criadores de riqueza”.
Impacto europeu: Outros países, como o Reino Unido, acompanham de perto a experiência norueguesa, em meio a discussões sobre taxação de fortunas.
Como funciona o imposto sobre riqueza
Alíquota: varia de 1% a 1,1% sobre patrimônios superiores a NOK 1,76 milhão (cerca de US$ 170 mil).
Regras: há descontos para imóveis e abatimento de dívidas.
Justificativa oficial: segundo o governo, sem a cobrança muitos milionários poderiam declarar renda zero — em 2023, três dos dez maiores contribuintes não tiveram rendimentos declarados.
Casos emblemáticos
Gustav Magnar Witzøe: o herdeiro da SalMar liderou o pagamento do imposto com NOK 330 milhões, mesmo sem renda declarada.
Startups na mira: fundadores com “riqueza de papel”, baseada em avaliações de mercado sem dividendos, são pressionados a migrar. O empresário Fredrik Haga, do setor de cripto-dados, já deixou o país.
Histórico de fuga fiscal: Ingvar Kamprad (Ikea) passou décadas fora da Suécia, enquanto o magnata John Fredriksen deixou a Noruega, depois Londres e hoje vive nos Emirados Árabes para escapar de aumentos tributários.
Próximos passos
Data decisiva: as eleições ocorrem em 8 de setembro, em cenário acirrado.
Stoltenberg em cena: o ex-secretário-geral da OTAN e atual ministro das Finanças, Jens Stoltenberg, dá novo fôlego à centro-esquerda.
Revisão tributária: se vencer, Stoltenberg promete uma reforma ampla, incluindo o imposto sobre riqueza.
Fator Suíça: em novembro, os suíços votarão sobre um imposto de herança elevado, o que pode influenciar noruegueses recém-migrados.
A Noruega mostra que o imposto sobre riqueza é economicamente viável, mas politicamente explosivo. Entre manter justiça fiscal e evitar a fuga de capitais, o pleito de setembro será um termômetro para a própria Europa sobre o futuro da tributação das grandes fortunas.