Cada vez mais milionários preferem alugar em vez de comprar imóveis de luxo
O número de milionários que optam por alugar imóveis de luxo nos Estados Unidos mais que triplicou entre 2019 e 2023, impulsionado por preços recordes, busca por liquidez e maior flexibilidade de estilo de vida.
George Goognin decidiu alugar em um arranha-céu de luxo na cidade de Nova York quando não conseguiu encontrar uma casa adequada para comprar.
O número de milionários que optam por alugar imóveis nos Estados Unidos mais que triplicou entre 2019 e 2023, segundo levantamento do New York Times. A tendência surpreende porque, historicamente, a compra de propriedades de luxo era vista como símbolo de status e segurança patrimonial.
Entre esses novos inquilinos está George Goognin, investidor milionário que decidiu alugar um apartamento em um arranha-céu de luxo em Nova York depois de não encontrar uma residência à altura para comprar. “Eu poderia comprar, mas nenhum imóvel no mercado me oferecia o que eu buscava em localização, design e serviços. No aluguel, encontrei exatamente o que precisava sem me comprometer com uma compra que não faria sentido”, afirmou.
A escolha de Goognin ilustra uma tendência mais ampla: para muitos ricos, alugar deixou de ser visto como uma solução temporária e passou a ser uma estratégia de mobilidade e preservação de liquidez. Em grandes centros como Nova York, Miami e Los Angeles, locações de imóveis de altíssimo padrão oferecem conveniência, serviços de hotelaria e liberdade para se mover conforme os negócios ou estilo de vida exigirem.
Especialistas apontam que a mudança de comportamento está ligada a diferentes fatores econômicos e sociais. O primeiro é a escalada nos preços das casas e apartamentos, que encareceu consideravelmente o mercado imobiliário americano. Mesmo para famílias com patrimônio milionário, a compra muitas vezes deixou de ser financeiramente vantajosa em comparação ao aluguel.
Outro fator é a flexibilidade: milionários mais jovens, em especial da geração millennial, priorizam mobilidade e preferem manter capital líquido para investir em negócios, startups e ativos financeiros em vez de imobilizar grandes valores em propriedades. Além disso, a volatilidade econômica dos últimos anos, marcada pela pandemia, inflação e mudanças na política monetária, reforçou a preferência por liquidez.
Há ainda uma questão de conveniência: ao alugar, esses milionários evitam custos de manutenção, impostos elevados e eventuais desvalorizações em um mercado que pode se tornar instável. Em regiões como Nova York, Miami e Los Angeles, os contratos de aluguel de luxo cresceram exponencialmente, oferecendo imóveis com infraestrutura de alto padrão sem a necessidade de aquisição.
O movimento reflete uma transformação cultural mais ampla: possuir imóveis já não é mais o objetivo final de muitos ricos, que veem valor em manter liberdade financeira e geográfica. A tendência sugere que, no futuro, mesmo entre os super-ricos, “viver de aluguel” pode se tornar a norma em vez da exceção.