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Conflito no Oriente Médio: petróleo rumo aos US$ 100 e custo de vida sobe no mundo inteiro

O confronto entre Irã e Israel já pressiona o petróleo para perto dos US$ 100. Parlamentares iranianos falam em fechar o Estreito de Hormuz — rota de um quinto do óleo consumido no planeta.

Bruna Mattos 22 Jun 2025
Imagem do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa aproximadamente 20 % do petróleo mundial

Imagem do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa aproximadamente 20 % do petróleo mundial

Conflito entre Irã e Israel (agora EUA também) pressiona mercados e preocupa investidores globais

Com a escalada das tensões no Oriente Médio, os mercados globais entraram em alerta máximo. O clima de incerteza cresce à medida que o mundo aguarda a resposta do Irã a um recente ataque dos EUA que aumentou a tensão geopolítica na região. A possibilidade de uma retaliação militar mais ampla vem gerando temor entre investidores, que já começam a reagir com movimentos típicos de aversão ao risco.

Ponto crítico adicional – Parlamentares iranianos aprovaram uma moção que apoia o fechamento do Estreito de Hormuz, corredor responsável pela passagem de aproximadamente 20 % do petróleo mundial (18 a 20 milhões de barris por dia). Um bloqueio total interromperia cerca de US$ 1 bilhão em embarques diários e poderia levar o Brent a US$ 90–100 rapidamente. A intensidade desse choque seria comparável às crises de oferta vistas em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, e em 2011, durante a Primavera Árabe.

Historicamente, em crises desse tipo, os investidores reduzem a exposição a ativos de risco e correm para alternativas consideradas mais seguras, como ouro, dólar americano e títulos do Tesouro dos EUA. O petróleo já reage, refletindo o temor de interrupções no Golfo Pérsico.

Embora o conflito pareça distante, os impactos chegam ao Brasil com rapidez. O primeiro reflexo costuma aparecer no câmbio: em momentos de aversão ao risco, moedas de países emergentes, como o real, tendem a se desvalorizar frente ao dólar. Outro efeito direto para o consumidor brasileiro é o aumento nos preços dos combustíveis. Se o petróleo sustentar a escalada, gasolina e diesel podem ficar mais caros nas próximas semanas.

Na Bolsa, setores ligados a commodities energéticas tendem a se beneficiar, enquanto companhias aéreas e negócios sensíveis ao preço do combustível ficam sob pressão. O mercado agora observa qual será o próximo movimento de Teerã. Uma resposta militar mais ampla pode elevar a volatilidade; uma reação contida deve limitar os danos. Para investidores, o momento pede atenção redobrada às movimentações globais e aos potenciais efeitos em seus portfólios.

Economistas do Citigroup alertam que, se a rota ficar bloqueada por meses e a oferta iraniana cair em torno de 3 milhões de barris por dia, o Brent pode ultrapassar os US$ 90 ainda no curto prazo. Eles destacam que um choque desta magnitude pode cortar até 0,4 p.p. do PIB global e adicionar 0,7 p.p. à inflação em 2025, colocando os bancos centrais diante de um dilema: aumentar juros para conter preços ou manter taxas mais baixas para não frear ainda mais a atividade econômica.

#Observação adicional

Caso o bloqueio se prolongue, países altamente dependentes do petróleo do Golfo — como China, Índia e Japão — precisarão recorrer a estoques estratégicos ou diversificar fornecedores, enquanto exportadores de xisto nos EUA e petroleiras integradas (Exxon, Chevron, Petrobras) podem ser os maiores beneficiados no curto prazo. Já setores intensivos em combustível, como aviação e transporte rodoviário, enfrentariam margens comprimidas e repasse de custos ao consumidor.

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