Eli Lilly e a próxima revolução (e polêmica) dos remédios para emagrecer
Novo fármaco da Eli Lilly, que imita três hormônios da fome, é visto como o mais poderoso já criado para perda de peso. Ainda em testes clínicos, já virou tendência em academias e fóruns online, onde é vendido ilegalmente.
A nova fronteira dos remédios para emagrecimento: o “King Kong” da Eli Lilly já circula no mercado paralelo
Mesmo antes de ser aprovado, o “King Kong” da perda de peso já circula em academias e grupos online
Julian Becerra, 24 anos, não é fisiculturista, mas queria “ficar bem sem camisa”. Vasculhando o TikTok, encontrou Dawson Weiss, um bodybuilder que exibia resultados impressionantes e atribuía tudo a um novo nome: retatrutide. Sem pensar duas vezes, Becerra comprou um pó vendido como a substância, misturou com água e injetou em si mesmo. Em poucas semanas, notou redução no apetite, músculos mais definidos e passou a postar suas próprias fotos, surfando na onda de engajamento.
O problema? Retatrutide ainda não está aprovado pela FDA. Desenvolvido pela Eli Lilly, o fármaco é parte da mesma família de GLP-1 que transformou Ozempic e Mounjaro em blockbusters. Mas com um diferencial: imita três hormônios de saciedade (GLP, GIP e glucagon), em vez de apenas um ou dois. Pesquisadores já o apelidaram de “King Kong” do emagrecimento, com efeitos que, em testes iniciais, se aproximam de uma cirurgia bariátrica — com a vantagem de preservar massa magra.
Mesmo assim, a previsão mais otimista é de que o remédio só chegue ao mercado em 2026 ou 2027. Até lá, cresce um mercado cinza, onde jovens e atletas compram versões “de laboratório de pesquisa” vendidas como “não destinadas ao consumo humano”. Nas redes, fóruns e até no Reddit, há relatos de uso, dicas de dosagem e alertas de segurança. Em alguns casos, usuários afirmam até recorrer ao ChatGPT para calcular protocolos personalizados.
O fenômeno mostra como a explosão dos GLP-1 criou não só um mercado de US$ 100 bilhões, mas também uma geração de consumidores impacientes, dispostos a arriscar a saúde para acelerar resultados. Entre a promessa da indústria farmacêutica e a realidade do mercado paralelo, o “King Kong” da perda de peso já é protagonista de um debate sobre regulação, riscos e obsessão por performance física.