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Uso de canetas emagrecedoras cresce, mas nem sempre o Impacto é apenas físico

Há um custo silencioso que acompanha o emagrecimento rápido, um preço que se paga na fisiologia antes de qualquer promessa de pertencimento simbólico.

Maria Klien 22 Feb 2026
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Antes mesmo de falar de identidade, é preciso falar do corpo que começa a dar sinais. Queda de cabelo, alteração de libido, envelhecimento da pele, náuseas recorrentes, dores abdominais, cansaço que não se explica apenas pela restrição alimentar.

Tenho observado que o emagrecimento mediado por tecnologias farmacológicas vem sendo vivido por muitos não apenas como intervenção biológica, mas como tentativa de reorganização existencial. O corpo passa a ocupar o lugar de território de solução para conflitos que não encontraram elaboração psíquica, ao mesmo tempo em que começa a expressar sinais de exaustão.

Isso está acontecendo em paralelo com avisos institucionais significativos. Em 2025, houve 1.296 notificações relatadas à Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido de pancreatite aguda associada ao uso de agonistas GLP-1, incluindo Wegovy e Mounjaro, juntamente com 24 casos de pancreatite necrosante e 19 mortes. Esses dados sugerem riscos físicos que merecem consideração séria, mas também levantam uma questão ampliada de como esses agentes podem estar sendo cada vez mais absorvidos no tecido da vida moderna.

Na clínica, vejo o tipo de pessoa que encolhe fisicamente enquanto sua angústia permanece inalterada. Essas são pessoas que reabitam seus corpos como um projeto contínuo de correção, pertencimento e adequação. Lentamente, perdem a capacidade de se reconhecer fora da forma que habitam, como se uma mera redução estruturasse a identidade pudesse ser suficiente.

Um tema comum emerge em muitos desses casos. Eles se perderam tão bem que não sabem como parar. Eles se veem no espelho sem ver, não apenas porque o corpo se foi, mas porque o eu fora daquela forma não é mais vivido. O espelho começa a refletir um ideal, não uma vida.

Tenho pensado que esse fenômeno nasce em um campo coletivo que opera como uma sociedade adolescente, permanentemente em busca de pertencimento e validação. O corpo se torna credencial de aceitação. Essa dinâmica se entrelaça a uma lógica econômica conhecida, na qual se amplia a percepção de inadequação para, em seguida, vender correção, sustentando cadeias de lucro que ultrapassam o medicamento e alcançam setores diversos.

O conceito de cultura de redução mantém a fantasia de menos peso mais significado. Mas não é como eu conheci pela experiência clínica. Volume não significa mais existência. Não ocupar tanto espaço não cria mais pertencimento. A identidade se torna estreita quando o valor pessoal começa a depender de marcadores corporais.

A saúde mental requer um movimento de expansão. Cada vez mais, consciência, linguagem, ser e a própria sobrevivência da complexidade. À medida que surgem conflitos existenciais, quando tentamos nos acomodar na forma, é um tratamento superficial, uma negligência das estruturas.

Hoje, o problema não está nas tecnologias de redução, mas sim na restauração e reconstrução da capacidade do corpo de ouvir o que ele nos diz antes de querer silenciá-lo. Recuperar essa escuta é uma condição básica para que os participantes vivam sua própria história (uma história, não apenas se gerenciando profissionalmente).

Sobre Maria Klien

Maria Klien exerce a psicologia, se orientando pela investigação dos distúrbios ligados ao medo e à ansiedade. Sua atuação clínica integra métodos tradicionais e práticas complementares, visando atender às necessidades emocionais dos indivíduos em seus universos particulares. Como empreendedora, empenha-se em ampliar a oferta de recursos terapêuticos que favorecem a saúde psíquica, promovendo instrumentos destinados ao equilíbrio mental e ao enfrentamento de questões que afetam o bem-estar psicológico de cada paciente.

Informações para a imprensa:

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Amelia Whitaker

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Igor Miranda

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