Faria Lima Files: O envolvimento da Genial Investimentos em investigação bilionária ligada ao PCC
Banco é citado sete vezes em documentos que embasam a maior operação contra lavagem de dinheiro já vista no país.
Fundos administrados pela Genial teriam sido usados para movimentar milhões ligados ao PCC
A operação deflagrada pela Polícia Federal que expõe conexões entre o crime organizado e o mercado financeiro brasileiro ganhou mais um capítulo: a Genial Investimentos, uma das instituições mais conhecidas da Faria Lima, e seu CEO Rodolfo Riechert, estão no centro das apurações.
Segundo o Ministério Público, a Genial administrava o fundo Radford, avaliado em R$ 100 milhões, apontado como parte da engrenagem de lavagem de dinheiro ligada ao grupo de Mohamad Hussein Mourad, considerado o “epicentro das operações”. O fundo teria sido estruturado para dar suporte a um esquema bilionário de fraudes e movimentação de recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O nome da Genial aparece sete vezes no documento que embasou a megaoperação. Para os investigadores, a ligação entre Mourad e a instituição financeira não se restringia a operações pontuais, mas fazia parte de uma rede de sustentação que permitia ao crime organizado penetrar o sistema financeiro de forma sofisticada.
Essa revelação coloca a Genial no mesmo radar de outras casas financeiras e gestoras independentes citadas no caso, como Reag Investimentos, Banco Master, Trustee e Banvox. Todas suspeitas de participarem, em maior ou menor grau, de operações que acabaram servindo aos interesses do PCC.
As investigações levantam questões cruciais sobre a vulnerabilidade do mercado financeiro brasileiro e sobre o papel das instituições que, direta ou indiretamente, acabaram facilitando operações do crime organizado. O caso já é tratado como um dos maiores escândalos de compliance e governança da Faria Lima.
Enquanto a PF avança, o silêncio da Genial e de seu CEO aumenta a pressão. No mercado, cresce a percepção de que o Faria Lima Files pode ser para o Brasil o que o Panama Papers foi para o sistema offshore internacional: um divisor de águas na forma como se expõem as relações entre dinheiro, poder e criminalidade.