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Faria Lima Files: O envolvimento da Genial Investimentos em investigação bilionária ligada ao PCC

Banco é citado sete vezes em documentos que embasam a maior operação contra lavagem de dinheiro já vista no país.

Lucas Aranha 30 Aug 2025
Fundos administrados pela Genial teriam sido usados para movimentar milhões ligados ao PCC

Fundos administrados pela Genial teriam sido usados para movimentar milhões ligados ao PCC

A operação deflagrada pela Polícia Federal que expõe conexões entre o crime organizado e o mercado financeiro brasileiro ganhou mais um capítulo: a Genial Investimentos, uma das instituições mais conhecidas da Faria Lima, e seu CEO Rodolfo Riechert, estão no centro das apurações.

Segundo o Ministério Público, a Genial administrava o fundo Radford, avaliado em R$ 100 milhões, apontado como parte da engrenagem de lavagem de dinheiro ligada ao grupo de Mohamad Hussein Mourad, considerado o “epicentro das operações”. O fundo teria sido estruturado para dar suporte a um esquema bilionário de fraudes e movimentação de recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O nome da Genial aparece sete vezes no documento que embasou a megaoperação. Para os investigadores, a ligação entre Mourad e a instituição financeira não se restringia a operações pontuais, mas fazia parte de uma rede de sustentação que permitia ao crime organizado penetrar o sistema financeiro de forma sofisticada.

Essa revelação coloca a Genial no mesmo radar de outras casas financeiras e gestoras independentes citadas no caso, como Reag Investimentos, Banco Master, Trustee e Banvox. Todas suspeitas de participarem, em maior ou menor grau, de operações que acabaram servindo aos interesses do PCC.

As investigações levantam questões cruciais sobre a vulnerabilidade do mercado financeiro brasileiro e sobre o papel das instituições que, direta ou indiretamente, acabaram facilitando operações do crime organizado. O caso já é tratado como um dos maiores escândalos de compliance e governança da Faria Lima.

Enquanto a PF avança, o silêncio da Genial e de seu CEO aumenta a pressão. No mercado, cresce a percepção de que o Faria Lima Files pode ser para o Brasil o que o Panama Papers foi para o sistema offshore internacional: um divisor de águas na forma como se expõem as relações entre dinheiro, poder e criminalidade.

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