Faria Lima Files: Reag e Master no centro de escândalo bilionário
Operação Carbono Oculto expõe como a maior gestora independente do Brasil, a Reag, estaria ligada ao PCC, Banco Master e grandes empresários da Faria Lima.
Maior gestora independente do Brasil sob suspeita de lavar dinheiro do PCC
A Polícia Federal deflagrou nesta semana a operação Carbono Oculto, investigando a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis em São Paulo. No centro das suspeitas está a Reag Investimentos, a maior gestora independente do Brasil, acusada de participar de um esquema de lavagem de R$ 46 bilhões.
A gestora tem conexões diretas com o Banco Master e com o empresário Nelson Tanure, já alvo de investigações anteriores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por práticas irregulares. A Reag é controlada por João Carlos Mansur, conhecido pela proximidade com Daniel Vorcaro, controlador do Master. Segundo a PF, a estrutura da Reag teria sido utilizada para adquirir empresas e usinas ligadas ao PCC, além de proteger ativos de investigados.
#Investigações em andamento
Além da Reag, outras empresas ligadas a Tanure, como a Trustee, também estão sob investigação por supostas atividades de lavagem de dinheiro. Em 2024, a Reag e o Master, em parceria com Tanure, adquiriram papéis do grupo GPA, mirando a venda de ativos estratégicos no Brasil. A CVM já havia apontado irregularidades em operações anteriores, como o desvio de R$ 51 milhões em debêntures para fundos controlados por Vorcaro e pelo antigo Banco Máxima.
Em resposta, a Reag divulgou nota afirmando que colabora com as autoridades e manterá o mercado informado. O Banco Master, até o fechamento da reportagem, não havia se manifestado. A situação levanta alertas sobre a fragilidade da supervisão do mercado financeiro brasileiro, onde gestoras independentes administram centenas de bilhões sem a mesma vigilância que bancos tradicionais.
#A relevância do caso
Apelidado no mercado de “Faria Lima Files”, o escândalo tem potencial de revelar nomes de empresários e instituições de peso que, direta ou indiretamente, possam ter se beneficiado dos serviços da Reag. Para analistas, o caso pode se tornar tão explosivo quanto os “Epstein Files” nos EUA, expondo conexões entre o crime organizado e a elite empresarial.