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Jiu-jitsu vira o “esporte do ano” na Faria Lima

O tatame se tornou o único lugar onde poder, ego e cargo deixam de importar.

Not Journal 03 Dec 2025
Disciplina, estratégia e controle emocional

Disciplina, estratégia e controle emocional

Nos últimos meses, uma cena tem se tornado comum nos prédios envidraçados da Faria Lima: executivos chegando às reuniões com mochilas de kimono, falando de posições, quedas e campeonatos com a mesma naturalidade com que citam juros, valuation e guidance.

O jiu-jitsu, antes restrito a lutadores e entusiastas da arte suave, virou o esporte do ano entre CEOs, fundadores e altos executivos do mercado financeiro e de tecnologia. A prática deixou de ser apenas uma atividade física para se transformar em um novo código cultural da elite corporativa paulistana.

A lógica por trás dessa febre vai além da moda. Para um grupo acostumado a lidar com pressão diária, competição intensa e tomadas de decisão rápidas, o jiu-jitsu oferece algo que o mundo corporativo não entrega: uma forma de reconectar corpo e mente, testar limites e recuperar um senso de presença que se perde entre reuniões, metas e telas.

“É a primeira hora do dia em que ninguém está me cobrando nada”, relatou um gestor de um dos maiores fundos do país. “No tatame, não importa seu cargo, seu patrimônio ou seu sobrenome. Ou você sabe se defender, ou não sabe.”

É justamente esse nivelamento — raro na vida de quem chegou ao topo — que atrai tanto interesse. No jiu-jitsu, o CEO vira aluno. O empresário bilionário vira faixa branca. O dono da empresa toma queda do estagiário. E isso, para muitos, é libertador.

Outro fator que impulsiona o fenômeno é o discurso crescente de performance integral. Academias premium e aulas privadas ganharam espaço em bairros como Itaim, Jardins e Vila Nova Conceição, enquanto grupos fechados de treino entre amigos — muitos deles investidores, founders e executivos — se tornaram uma nova forma de networking: mais íntimo, verdadeiro e sem “filtro corporativo”.

Ao mesmo tempo, o jiu-jitsu oferece o tipo de narrativa que ressoa com esse público: disciplina, estratégia, paciência, resiliência e a ideia de que vitória não acontece por acaso — mas por repetição, método e controle emocional.

Para uma geração que busca propósito em meio ao excesso de trabalho e ao burnout silencioso, a arte suave virou não apenas um esporte, mas um refúgio. Um espaço onde performance encontra sentido — e onde, por alguns minutos por dia, o poder sai de cena e resta apenas a verdade do tatame.

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