O treino de 20 minutos que promete substituir duas horas de academia
Vinte minutos, uma roupa de eletrodos e a promessa de dispensar a academia: conheça o treino que está dividindo especialistas e lotando estúdios
Foto: Uma aula de ginástica no EMS Body Atelier. Jan Schmidtchen
O treino de 20 minutos que promete substituir duas horas de academia
A ideia parece saída de um episódio de ficção científica: você veste uma roupa úmida coberta de eletrodos, passa 20 minutos se movimentando levemente enquanto o equipamento envia impulsos elétricos pelos seus músculos — e vai embora tão destruído quanto depois de uma hora e meia de musculação. É o EMS, a estimulação elétrica muscular, e o Wall Street Journal dedicou uma reportagem ao fenômeno que está chegando com força nos Estados Unidos depois de anos consolidado na Europa.
O princípio não é novo. A fisioterapia usa estimulação elétrica há décadas para prevenir atrofia muscular em pacientes que não conseguem se exercitar. O que mudou é a embalagem: há mais de 13 mil estúdios de EMS de corpo inteiro abertos ao redor do mundo — 2,5 mil só na Alemanha — e a tecnologia aprovada pela FDA está agora se expandindo rapidamente nos EUA através de franquias.
O apelo é direto. Numa cultura obcecada com eficiência e com pouco tempo, a promessa de comprimir horas de treino em 20 minutos ressoa. Os estúdios vendem sessões curtas de treinamento personalizado que prometem aumentar força e massa muscular sem carga externa, além de melhorar desempenho cardiovascular, circulação e recuperação.
A ciência, porém, ainda não acompanhou o entusiasmo do mercado. Poucos estudos rigorosos foram feitos sobre o EMS de corpo inteiro, e os especialistas alertam para riscos reais quando a intensidade não é controlada — incluindo rabdomiólise, a destruição de células musculares que pode exigir internação hospitalar.
O mercado global de dispositivos de estimulação muscular projeta uma taxa de crescimento anual de 7,8% entre 2026 e 2035, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento de dores crônicas e pela integração da eletroestimulação nas rotinas de recuperação atlética.
No Brasil, os primeiros estúdios especializados já operam em São Paulo e no Rio. A pergunta que o mercado ainda tenta responder é a mesma de sempre: é ciência ou é venda de promessa bem embalada?
Foto: Uma aula de ginástica no EMS Body Atelier. Jan Schmidtchen