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Mineração: Propostas para o futuro chegam aos presidenciáveis

Propostas visam guiar políticas públicas para impulsionar setor estratégico e garantir desenvolvimento nacional sustentável.

Not Journal 24 Aug 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Associação apresenta dez medidas para impulsionar o setor de minerais críticos e garantir o desenvolvimento nacional, com foco em políticas de longo prazo e sustentabilidade.

O futuro da exploração e do aproveitamento dos minerais críticos no Brasil entrou na pauta de discussões políticas, com a apresentação de um conjunto de dez propostas por uma associação do setor a candidatos à Presidência da República. O documento, divulgado em 24 de agosto de 2026, visa orientar as futuras políticas públicas para um setor estratégico, fundamental para a transição energética, a tecnologia e a segurança nacional. A iniciativa busca garantir que o Brasil, detentor de vastas reservas, possa capitalizar sobre esses recursos de forma sustentável e competitiva no cenário global.

Os minerais críticos são aqueles essenciais para o desenvolvimento de tecnologias avançadas, como baterias para veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. A demanda por esses materiais tem crescido exponencialmente, impulsionada pela agenda de descarbonização e pela busca por autonomia tecnológica em diversas nações. O Brasil possui um potencial significativo em minerais como nióbio, terras raras, lítio, grafita e cobalto, mas enfrenta desafios para consolidar sua posição como um player relevante na cadeia produtiva global.

Entre as dez medidas propostas, destacam-se a necessidade de um marco regulatório claro e estável, que incentive investimentos de longo prazo e reduza a burocracia. A associação defende a simplificação dos processos de licenciamento ambiental, sem comprometer os rigorosos padrões de sustentabilidade e proteção ambiental. Outro ponto crucial é o fomento à pesquisa e desenvolvimento (P&D) e à inovação tecnológica, com o objetivo de agregar valor aos minerais extraídos no país, promovendo a industrialização e a criação de empregos qualificados.

A formação de mão de obra especializada também figura como um pilar central das propostas. A criação de programas de capacitação e a parceria entre instituições de ensino e empresas são vistas como essenciais para suprir a demanda por profissionais qualificados em todas as etapas da cadeia de valor, desde a exploração até o processamento e a manufatura de produtos derivados. Essa preocupação com a formação de novas gerações de líderes e profissionais qualificados ecoa iniciativas de outros setores, como o anunciado pela Alpargatas para seus programas de estágio e trainee, que visam acelerar carreiras e preparar a próxima geração de lideranças.

A segurança hídrica e energética para as operações de mineração, bem como a gestão responsável dos resíduos e o fechamento de mina, são aspectos que a associação considera inegociáveis. A proposta também aborda a importância da participação das comunidades locais nos benefícios gerados pela atividade minerária, promovendo o desenvolvimento social e econômico das regiões onde os projetos estão inseridos. A transparência e o diálogo com a sociedade civil são apresentados como ferramentas fundamentais para a construção de um setor minerário mais justo e sustentável.

O documento sublinha a necessidade de uma política externa ativa para a inserção do Brasil nas cadeias globais de suprimentos de minerais críticos, buscando parcerias estratégicas e acordos comerciais que garantam o acesso a mercados e tecnologias. A diversificação da matriz energética para as operações de mineração, com maior uso de fontes renováveis, também é apontada como um caminho para reduzir a pegada de carbono do setor.

A iniciativa surge em um momento em que o Brasil se prepara para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027, um evento que já mobiliza marcas e estratégias de marketing voltadas para a geração Z, demonstrando a importância de antecipar tendências e adaptar-se às novas dinâmicas de consumo e engajamento. Da mesma forma, o setor de minerais críticos demanda uma visão de futuro, capaz de antecipar as necessidades tecnológicas e ambientais das próximas décadas. A saída de marcas como a Häagen-Dazs do mercado brasileiro, após 29 anos, como parte de uma revisão de portfólio, reforça a necessidade de as empresas e o governo estarem atentos às mudanças e planejarem a longo prazo para garantir a sustentabilidade e a relevância no cenário econômico.

Ao apresentar estas dez medidas aos candidatos presidenciais, a associação busca semear a ideia de que o desenvolvimento do setor de minerais críticos não é apenas uma questão econômica, mas também estratégica para a soberania nacional, a segurança energética e a transição para uma economia de baixo carbono. O sucesso dessas propostas dependerá da capacidade dos futuros governantes em transformar essas diretrizes em políticas públicas eficazes e duradouras, garantindo que o Brasil possa, de fato, se tornar um protagonista na nova economia global impulsionada pelos minerais do futuro.

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