Por que mais de 100 economistas erraram (e feio) sobre Javier Milei
Apesar da carta de mais de 100 economistas — entre eles Thomas Piketty — que previa “caos” e “devastação”, a inflação mensal desabou de 26 % para 1,5 % e o PIB já cresce 7,6 % YoY
Cem economistas erraram: a ‘devastação’ de Milei virou crescimento na Argentina
#Como mais de 100 economistas erraram sobre Javier Milei — e o que isso revela sobre as previsões “anti-libertárias”
Em novembro de 2023, uma carta aberta assinada por Thomas Piketty, Jayati Ghosh e outros 100 acadêmicos alertava que a eleição de Javier Milei levaria a “devastação social” e “colapso econômico” na Argentina. O desfecho, um ano depois, desmente o coro: a inflação mensal derreteu de 26 % para apenas 1,5 %, o PIB avançou 7,6 % no segundo trimestre e o risco-país caiu abaixo dos níveis pré-pandemia. Onde a análise falhou?
Modelos estáticos, economia dinâmica
Os signatários projetaram recessão profunda baseados em multiplicadores keynesianos. Ignoraram que controles de preço, subsídios e câmbios paralelos distorciam custos e travavam investimento. Quando Milei dolarizou contratos, cortou 40 % dos ministérios e unificou as taxas de câmbio, capitais repatriados e estoques destravados compensaram o choque fiscal.
Subestimação do ganho de credibilidade
A Escola Austríaca sempre argumentou que moeda forte e disciplina orçamentária atraem poupança e alongam prazos de investimento. Foi o que aconteceu: com expectativas de inflação ancoradas, bancos voltaram a emprestar no mercado local depois de quase uma década.
Viés intervencionista nas previsões acadêmicas
A maioria dos economistas de referência constrói cenários em que gasto público funciona como principal alavanca de crescimento. Reformas que passam o “controle da alocação” ao setor privado são tratadas como risco e não como oportunidade de eficiência.
Esse choque de realidade explica a guinada retórica em outros lugares:
El Salvador de Nayib Bukele cortou 8 000 cargos estatais e atraiu recorde de IDE.
Estados Unidos voltam a debater cortes de impostos e teto de gasto com Donald Trump.
Leste europeu (Polônia, Estônia) resiste a novas metas climáticas que encarecem energia.
No Brasil, o desconforto com juros reais de 7 % e carga tributária de 34 % já alimenta a popularidade de agendas pró-privatização. Se a inflação de serviços continuar acima da meta, a tese à la Milei poderá ganhar tração em 2026: reduzir Estado não gera devastação — corrige a alocação de capital, preserva programas sociais de crises contínuas e expõe a arrogância intelectual de previsões que ignoram incentivos de mercado.
Lição final: previsões macro não falham por falta de cálculo, mas por desprezar a capacidade de ajuste dos indivíduos quando se retiram os grilhões regulatórios. Milei virou o caso-teste que coloca essa falha — e a crise credencial dos “cem economistas” — no centro do debate global.