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Quando tributar os ricos sai caro demais

O Reino Unido perdeu mais de 16 mil milionários após elevar impostos sobre ganhos de capital. A tentativa de arrecadar mais resultou em menos receita — e um alerta global.

Bruno Richards 27 Jul 2025
Tax the rich? O Reino Unido mostra por que isso pode sair caro demais

Tax the rich? O Reino Unido mostra por que isso pode sair caro demais

O Reino Unido decidiu apertar o cerco contra os super-ricos. Aumentou drasticamente o imposto sobre ganhos de capital — chegando a elevações de até 80% sobre alíquotas anteriores — e reduziu significativamente as faixas de isenção. A promessa era simples: arrecadar mais. Mas o efeito foi o oposto.

Dados oficiais mostram que a receita com esse tipo de imposto caiu 18% entre 2023 e 2024, despencando para £12,1 bilhões. Ao mesmo tempo, cerca de 16.500 milionários deixaram o país em 2025, segundo estimativas divulgadas pelo gestor Kyle Bass. Ou seja, o plano de “taxar o topo para equilibrar as contas” resultou em menos dinheiro no caixa do Estado.

Esse fenômeno tem nome: tax flight — ou fuga fiscal. E não é novidade.

#Ricos não fogem do imposto. Eles fogem do país.

Ao contrário da classe média, os ultrarricos têm mobilidade internacional, acesso a estruturas jurídicas sofisticadas e o apoio de planejadores tributários globais. Eles não apenas transferem residência para paraísos fiscais como Mônaco, Dubai ou Ilhas Cayman, mas também alteram a titularidade dos ativos, distribuem patrimônio em fundações, e redirecionam investimentos para jurisdições mais favoráveis.

A verdade é dura para populistas fiscais: você não consegue tributar aquilo que pode ir embora de avião.

Um exemplo emblemático veio à tona recentemente: o nono homem mais rico do Reino Unido decidiu se mudar para os Emirados Árabes, citando a deterioração do ambiente político e fiscal britânico. Em entrevista, declarou:

“A Grã-Bretanha foi para o inferno.”

#Casos que se repetem

A França tentou algo semelhante em 2012, com o imposto de 75% sobre grandes rendas. O resultado foi uma debandada de milionários e empresários, incluindo o icônico Gérard Depardieu. O plano foi revertido poucos anos depois.

Na Colômbia, o governo Petro aumentou a taxação sobre o capital em 2023. Resultado: uma elite crescente começou a migrar com seus ativos para Miami e Madri, legalmente ou por vias alternativas.

O Brasil, agora, discute novas formas de taxação sobre fortunas, fundos exclusivos e grandes heranças. Embora o discurso político seja de justiça social, o risco de provocar evasão silenciosa — com grandes nomes deslocando operações e domicílios fiscais para Portugal, Emirados Árabes ou até Uruguai — é real.

#Tributação exige estratégia, não retórica

Não se trata de proteger bilionários. Mas de reconhecer a realidade: riqueza extrema é móvel. E tentar combatê-la com punição fiscal apenas torna o sistema mais frágil. Quando as grandes fortunas saem, não levam só ativos. Levam empresas, empregos, tecnologia, capital produtivo e influência geopolítica.

O debate moderno sobre justiça fiscal precisa incluir:

Incentivos à permanência e ao investimento local

Sistemas internacionais de transparência fiscal e cooperação

Modelos de arrecadação que não punam inovação ou sucesso legítimo

Como diz Kyle Bass:

“You can’t tax your way to prosperity. You can only chase it away.”

A frase resume uma lição urgente para o Ocidente: tributar pode parecer moralmente justo — até se tornar economicamente burro.

Bruno Richards é editor-chefe da Not Journal. Atua na cobertura de temas como economia, finanças internacionais, política fiscal e comportamento das elites globais.

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