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Socialite paulista é acusada de golpe de R$ 40 milhões em joias de luxo

De cliente assídua a acusada de golpe: as 11 joias em disputa revelam uma rede de dívidas, imóveis e conflitos familiares na elite paulista

Sofia de Vasconcellos 30 Sep 2025
Margareth Costa Carvalho e Caroline Costa Carvalho

Margareth Costa Carvalho e Caroline Costa Carvalho

O mercado de luxo paulista acompanha de perto a disputa entre o joalheiro Marcelo Assad Scaff Filho, fundador da Scaff Joias, e a colecionadora Margareth Costa Carvalho. O processo, que já ultrapassa os R$ 40 milhões, expõe não apenas a disputa por 11 joias de alto valor, mas também um padrão de consumo que transformava bens de luxo em instrumento de investimento e que hoje levanta acusações de fraude e ocultação patrimonial.

Luxo como reserva de valor

Desde 2017, Margareth era cliente frequente da Scaff Joias. O perfil de consumo era constante: peças grandes, exclusivas e extravagantes, acompanhadas de certificados internacionais. Para além da estética, essas funcionavam como uma forma de armazenar valor.

Além das joias discutidas no processo, é sabido no mercado que bolsas de grifes como Hermès também eram adquiridas não apenas para uso, mas como ativos que poderiam se valorizar ao longo do tempo. No caso das bolsas, Margareth e a filha deixaram de quitar fornecedores no segmento de second hand e, em vez de buscar acordos, passaram a recorrer a uma manobra financeira: utilizar mercadorias não pagas como forma de pagamento para terceiros.

As 11 joias em disputa

O litígio atual concentra-se em 11 joias avaliadas em mais de R$ 40 milhões. Marcelo sustenta que Margareth encomendava as peças, usava-as em eventos sociais e não devolvia. Fotografias anexadas ao processo mostram a colecionadora usando colares e anéis de alto valor.

A defesa, entretanto, apresentou ao menos três versões diferentes. Primeiro, que as peças seriam antigas, apenas limpas pelo joalheiro. Depois, que algumas nunca foram entregues ou teriam sido modificadas. Em seguida, que os valores cobrados eram abusivos e as pedras seriam falsas. Apesar dessas alegações, as joias nunca foram devolvidas.

Um perito oficial do Tribunal de Justiça de São Paulo reforçou a versão do joalheiro, validando certificados e apontando adulterações em documentos da defesa. Outra prova destacada é a nota fiscal emitida a pedido da própria Margareth, registrada em ata notarial, evidência usada pela acusação para mostrar que ela reconhecia a aquisição das peças.

Bloqueios e penhoras

As tentativas de execução resultaram em valores irrisórios frente à dívida: apenas R$ 11 mil bloqueados em nome de Margareth e R$ 34 mil em contas de seu marido, Manuel Messias de Carvalho.

A Justiça então determinou a penhora de quotas, ações e dividendos de empresas da família, como a VM Business, a Sunoak Renovável e a Mafecar Incorporadora. Margareth chegou a oferecer sua mansão, avaliada em R$ 45,5 milhões, como garantia, mas a proposta foi recusada pela parte contrária, que apontou superavaliação e baixa liquidez.

Patrimônio nas empresas

O processo também revelou que o Imposto de Renda de Margareth foi declarado zerado, sem bens em seu nome. Isso reforçou a suspeita de que o patrimônio da família estaria concentrado em empresas. A principal delas é a VM Business, que possui cerca de 300 imóveis registrados.

Além disso, a disputa extravasou para o âmbito familiar: o marido, Manuel Messias, moveu um processo criminal contra Margareth, alegando que ela teria usado sua assinatura digital de forma indevida para contrair empréstimos milionários e movimentar recursos para contas dela e da filha.

O capítulo Furlan

Entre os episódios mais polêmicos, o processo aponta a venda de um imóvel da Mafecar Incorporadora, avaliado em mais de R$ 18 milhões, por apenas R$ 3,7 milhões, à Sonfe Participações Ltda., empresa ligada à família do ex-prefeito de Barueri, Rubens Furlan, em nome de sua esposa, Sônia Dias Furlan, e do filho, Felipe Furlan.

A alienação ocorreu após a averbação da certidão premonitória, que dá publicidade à existência da execução. Pela lei, transações feitas nessas condições presumem fraude. Pouco depois, o imóvel foi desdobrado em duas novas matrículas, movimento que a Justiça classificou como indicativo de ocultação patrimonial. A decisão judicial reconheceu robustos indícios de fraude à execução e determinou a intimação da Sonfe para se manifestar.

Muito além das joias

Hoje, é de conhecimento que a executada responde não apenas pelo litígio envolvendo as 11 joias, mas também está envolvida em diferentes processos cíveis e criminais, inclusive em disputas com membros da própria família.

O caso mostra como bens de luxo, de diamantes a bolsas Hermès, podem ser utilizados como ativos financeiros, mas também como essa estratégia pode entrar em colapso, abrindo espaço para disputas milionárias e acusações de fraude.

Por trás do brilho das pedras preciosas, o processo expõe um enredo em que consumo, investimento e ocultação patrimonial se misturam. E coloca em questão até que ponto o luxo serve como reserva de valor e quando ele se torna apenas mais um risco no tabuleiro financeiro.

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