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A polêmica de Halo e como isso denuncia o "fast-food" cultural.

Paulo Teles 28 Oct 2025
Foto de: https://news.xbox.com/pt-br/2025/10/24/halo-campaign-evolved-respondendo-as-principais-duvidas-sobre-esse-remake-ambicioso/

Foto de: https://news.xbox.com/pt-br/2025/10/24/halo-campaign-evolved-respondendo-as-principais-duvidas-sobre-esse-remake-ambicioso/

Há alguns dias foi anunciado um remake de Halo Combat Evolved que será lançado também para o PlayStation 5.

Em meio às N crises que a Microsoft está passando com a linha Xbox agora, uma coisa chama a atenção em algumas discussões em torno do remake de Halo: "direção de arte é mais importante que gráficos".

Muitos estão irritados com o remake, notando que transformou Halo numa espécie de jogo genérico contemporâneo, com gráficos "realistas" e design trivial como se fosse um jogo atual qualquer.

É interessante este debate pois coloca em pauta duas coisas:

  • Num momento em que o Xbox não tem jogos de peso, eles anunciarem um remake realista com design mal visto por muita gente.

  • A suposta falta de cuidado com a atmosfera do jogo original, trocando ela por algo banal que é fácil encontrar em qualquer outro jogo.

E por quê isso é interessante? Porque denuncia o estado atual de uma parte considerável da indústria de jogos que são os tais jogos "AAA". Vendidos como grandes produções, eles têm sofrido uma espécie de transformação em "fast-food" jogável, ou seja, algo que nem fede nem cheira e serve somente como um entretenimento "barato". Entre aspas, porque, além de — como são os fast food — fracos em conteúdo e qualidade, os jogos são caros.

Para quem viveu a época de Batman Arkham Knight, GTA V e outros, ver como estão essas grandes produções atualmente é, no mínimo, decepcionante. Boas histórias, ambientações, gráficos bonitos — não tão realistas como hoje, mas eram bonitos e realistas na sua medida — e N outras coisas deixam claro a distância que há entre boa parte dos jogos antigos e atuais.

Isso quando há algo de novo, nem falamos dos inúmeros remasters que, no fundo, quase nenhum era desejado... Parecem, no máximo, algo feito para gerar um lançamento que possa render algumas vendas para a empresa, sem que ela tenha que desembolsar uma quantidade absurda numa produção feita do zero.

O "fast-food" cultural atinge não somente a indústria de jogos, mas músicas, filmes de cinema e outras produções culturais. As músicas pop são parecidas, os filmes de super-herói são, de certo modo, a mesma coisa... E os jogos são todos aventuras vazias, com histórias fracas e gráficos realistas — por sinal, mal otimizados, precisando de upscaling e geração de quadros para serem jogáveis.

Como sair dessa? Aplicando na produção de arte o próprio coração. Aqueles que fazem música, filmes, jogos, buscarem não vendas no fim do mês, mas produzir algo relevante para si mesmos e, se eles desejarem, para os outros.

Histórias que não apenas joguem efeitos especiais e plot-twists imbecis nas nossas caras, mas que sejam relevantes para nós enquanto humanidade.

Hideo Kojima parece ser um dos poucos, na grande indústria cultural contemporânea, que compreendeu a necessidade de uma obra ter "alma", sendo Death Stranding uma obra única e realmente especial em inúmeros sentidos. Vê-se claramente que, quem fez aquela história, tinha o coração naquilo e realmente queria fazer algo bom.

E o que nós, individualmente, podemos fazer? Buscar boa cultura para não nos sentirmos felizes com qualquer coisa que apresentem para nós. Somos inteligentes, e não devemos nos rebaixar na nossa capacidade intelectual de consumir cultura simplesmente porque isso requer, a princípio, algum esforço.

Boa cultura nos alimenta, nos nutre intelectualmente, enquanto "fast-food", assim como no mundo alimentar, só serve para sentirmos um gosto — que é ruim, por sinal, comparado a alimentos melhores... No fim, piora nossa saúde e pode até nos matar.

Correção gramatical:

  • Gemini AI ( Google )

Imagens:

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