O engano do "Esse ano eu quero..."
Metas de ano novo podem ser traiçoeiras. O que fazer, então?
Imagem criada via Gemini
Todo fim de ano sempre temos, ainda que de maneira inconsciente, algumas metas que queremos começar no ano seguinte. Academia, metas espirituais, psicológicas, sociais, de carreira, de habilidades, de currículo, de música... São N tipos de metas que povoam a mente de muitos durante o fim do ano.
O engano, dito no título, acontece quando essa decisão é tomada no meio de uma empolgação. Com as imagens dos resultados gritando na mente, fica fácil considerar a meta. Mas quantos não desistem ao primeiro cansaço, à primeira percepção de que aquilo vai demorar e os resultados não são automáticos...
Nisso entramos num tópico que é tratado de maneira abrangente por N estudiosos, que é a diferença entre nossos afetos e nossa capacidade de inteligência.
O que sentimos ou deixamos de sentir é, assim como indica a palavra, apenas uma sensação. E sensações nem sempre correspondem ao que a realidade concreta dos fatos – a redundância foi intencional – diz.
Coloquemos o seguinte exemplo: Tenho a sensação de que o hotel que aluguei é muito bom, e uso isso como critério para recomendar aos outros o mesmo local. Porém, depois de alguns dias lá, descubro que está numa zona perigosíssima da cidade, e que na verdade dormir lá é um problema.
Da mesma forma é com as metas. Sinto que vou alcançá-las e isso me empolga, porém, no exato momento em que elas demonstram o tamanho do esforço necessário para que elas sejam atingidas, logo vem o desânimo e lá para fevereiro já deixei de lado.
Não é errado sentir. Somos humanos e isso faz parte da nossa natureza. Inclusive, os bons afetos são... bons. Bons afetos são afetos que nos incentivam a fazer coisas boas, dando a nós uma sensação que nos incentiva a tal. Mas temos que lembrar que o critério de levar em conta apenas o sentimento é enganador, e sempre se sobrepõe a ele a decisão firme da vontade, independente do que nossos afetos dizem ou não.
Sem uma vontade forte, expressada pela firme decisão apesar dos afetos a favor ou contra, em poucas semanas a meta mostrará o peso do seu caminho e logo virá uma possível desistência.
O que fazer? Bem, tomar uma firme resolução não é algo que fazemos apenas no dia em que escolhemos a meta; um caráter dessa vontade é sua resistência aos afetos de cansaço, desânimo, preguiça... E isso só pode ser tomado dia após dia.
Ajuda a vontade ter um porquê para seguir, como uma corda na qual ela pode se apoiar para não cair. Assim sendo, tendo firmes as razões da nossa decisão, mais ela terá forças para se reerguer.
Tendo boas razões, e a consciência de que as sensações de ânimo e empolgação muito provavelmente irão passar, as metas de ano novo podem se tornar verdadeiras metas e culminar em resultados verdadeiros, e não em mais um ano em que deixamos as metas para o ano seguinte.
Correção gramatical e imagem:
- Gemini ( Google AI )