A solução para o Brasil é sair culturalmente dele
A solução do Brasil pode estar dentro dele, mas está também fora, em outras culturas e povos.
Imagem criada via Gemini
No mesmo período tivemos duas notícias que chamam atenção por um elemento em comum: padre Júlio Lancellotti e Fernanda Torres. E não, não estou falando do fato de eles serem "de esquerda", mas da famosa "política do dia a dia".
A "censura" do padre foi acompanhada de inúmeras polêmicas em relação à Igreja. Vivendo um discurso claramente político e, até uma vez, indo contra a crença da própria Igreja Católica, o padre Júlio é alvo de polêmicas constantes, não pela sua ajuda aos pobres — coisa que a Igreja ensina há séculos como algo de extrema importância para todos, antes de sequer o mundo saber da existência de tal sacerdote.
Fernanda Torres, já tendo má reputação pela direita, pelo filme "Ainda Estou Aqui" e suas posições políticas, foi alvo de ataques devido a uma propaganda no mínimo esquisita com a marca Havaianas. Ao usar a frase: "Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito", uma personagem já conhecida por suas posições, com essa frase, claramente passa uma mensagem política para muitos, ainda que, de maneira burra, não tenha sido essa a intenção da marca.
Podemos olhar esses acontecimentos tendo em vista o quão caricaturais são essas questões. Por quê? Perceba: na disputa ideológica, os discursos e raciocínios sempre seguem um padrão de caráter praticamente religioso. Com base em certos "dogmas", todas as ações já estão como que premeditadas por uma espécie de cartilha. Isso ocorre tanto na direita quanto na esquerda.
E é isso que vemos especialmente na reação a essas duas situações. Não há uma discussão real e sim uma disputa de quem vai xingar melhor para poder impor sua cartilha sobre a cartilha do outro.
Dado tal cenário, a cultura se encontra gravemente prejudicada: se há apenas disputa ideológica na produção de cultura, estamos diante de algo sempre caricatural e jamais diante de uma experiência humana genuína. Não há mais o que tal diretor viveu para criar uma obra, mas estamos diante de pura e mera propaganda.
Temos que a cada dia nos afastarmos dessas polêmicas para conseguirmos olhar a situação de cima, dum ponto de vista não religioso na política. A religião não é algo ruim, mas a religião política é, pois promete o que não consegue entregar, e jamais conseguirá: o paraíso.
Como diria um bom professor, não podemos ser homens da nossa época, mas devemos, com a riqueza de todas as épocas anteriores à nossa, olhar a situação atual de maneira que possamos abrangê-la com a nossa inteligência. Dominar o cenário, ao menos mentalmente, para que possamos ensinar os outros a fazerem um país melhor; sejam alunos, filhos, o que for... Precisamos adquirir conhecimento e passar para a frente.
Quanto conhecimento podemos adquirir com uma boa leitura dos gregos e dos escolásticos? Não são brasileiros, mas alguma coisa eles sabiam para entrar para a história. Será que não podemos olhar para a história de outros países também, e aprender com eles? Nossa sociedade e a deles são feitas de seres humanos, e isso permite que aprendamos não somente com o que temos disponível no Brasil, mas nas diversas culturas de diversas épocas.
Para que sermos homens e mulheres de nossa época se podemos ser de todas elas? Podemos buscar cada vez saber mais, estudar mais, de modo que a experiência total da humanidade seja um guia para nós nas questões presentes.
Se indignou com esses fatos do padre e da atriz? Ou se incomodou de algum modo com os comentários e pensou algo como: "esse pessoal é burro demais"? Bem, faça tua parte então, se eduque e eduque outros. Pois quem reclama de problema sem solucionar geralmente são as crianças, e não é disso que o país precisa no momento.
- Correção gramatical e imagem:
- Gemini ( Google AI )