A verdade incomoda
A liberdade de imprensa no Brasil acaba onde começa o interesse de alguns.
Acordamos censurados. (Foto Kendall Roy, personagem de "Succession"da HBO)
A madrugada deste domingo trouxe um episódio que expõe, mais uma vez, a fragilidade das plataformas digitais quando aplicadas à comunicação jornalística. Ao acessar nosso perfil no Instagram, encontramos apenas uma mensagem automática: a conta havia sido desativada pela Meta. Nenhuma justificativa concreta. Nenhuma explicação detalhada. Apenas a afirmação de que se tratava de uma decisão “irreversível”, sem possibilidade de recurso, defesa ou contato direto com suporte humano.
Diante da gravidade da situação, nossa equipe se mobilizou imediatamente. Ainda nas primeiras horas da manhã, advogados foram acionados e funcionários da Meta Brasil foram contatados. Obtivemos, então, a primeira informação oficial: segundo a empresa, a conta teria recebido denúncias em massa, motivo pelo qual foi desativada. Após o envio dos documentos exigidos, o processo de revisão foi encaminhado para a equipe da Meta nos Estados Unidos, responsável pela decisão final sobre a restauração do perfil.
O que chama atenção, entretanto, é o contexto em que o episódio ocorre.
Dias antes, um empresário conseguiu remover uma matéria publicada pela Not Journal ao alegar direitos autorais sobre a foto utilizada no post — uma foto de sua própria autoria. A plataforma acatou prontamente o pedido. Pouco tempo depois, nossa conta foi inteiramente derrubada. A coincidência, no mínimo, levanta questionamentos. O timing é curioso. E, para muitos, preocupante.
A Not Journal nasceu com a proposta de ser um veículo distinto do jornalismo tradicional: uma mídia orientada por curadoria, dados e fatos, focada no que é relevante para o leitor, sem o ruído que domina o ecossistema de comunicação brasileiro. Não reivindicamos imparcialidade absoluta — porque ela não existe. Reivindicamos, sim, compromisso com a verdade e relevância pública.
Esse compromisso inclui publicar informações que possam desagradar indivíduos influentes, setores poderosos ou grupos organizados. Inclui enfrentar pressões, resistir a tentativas de intimidação e recusar o silêncio confortável. Não importa se a notícia envolve bilionários, banqueiros, políticos ou pessoas próximas de influenciadores do mercado. Fato relevante é fato relevante.
É justamente por esse posicionamento que episódios como o de hoje acendem um alerta.
O Brasil ainda evita discutir, de forma aberta, a existência de estruturas informais de poder que influenciam o debate público. Há pressão econômica, jurídica e política sobre veículos de comunicação; há tentativas de compra, de intimidação, de censura direta ou indireta. Há interesses que operam nos bastidores. E, não raro, há consequências concretas para quem decide resistir.
Nos Estados Unidos, figuras públicas debatem há anos a atuação do chamado deep state. No Brasil, sequer reconhecer o tema já é motivo de desconforto. Mas ignorá-lo não o torna menos real. Episódios como a remoção de conteúdo jornalístico sob justificativas frágeis — ou a desativação repentina de uma conta com milhares de leitores — reforçam a urgência dessa discussão.
A Not Journal seguirá atuando.
Seguiremos publicando.
Seguiremos investigando.
Seguiremos oferecendo um veículo no qual o público possa confiar — sem vínculos políticos, sem dependência financeira de governos, bancos ou grupos privados que condicionem o conteúdo editorial.
Nossa existência responde a uma demanda crescente: a necessidade de uma mídia independente, transparente e comprometida com a verdade. Não pretendemos ceder à pressão, nem alterar nossa linha editorial por conveniência ou medo.
“Freedom of speech is the bedrock of democracy
it’s how citizens understand what they’re truly voting for.” Elon Musk
Agradecemos a todos que têm apoiado nosso trabalho e convidamos nossos leitores a compartilhar este artigo. Sua voz também faz parte dessa construção.
Bruno Richards
CEO e Editor-Chefe — Not Journal