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Os heróis que o Brasil precisa, e a mídia critica

As forças de segurança são atacadas por tentar retomar territórios dominados por facções. A sociedade cobra paz, mas critica quem luta por ela.

Bruno Richards 29 Oct 2025
Enquanto o tráfico impõe medo e violência, são os policiais que tombam tentando devolver dignidade a quem vive nas periferias.

Enquanto o tráfico impõe medo e violência, são os policiais que tombam tentando devolver dignidade a quem vive nas periferias.

A recente operação das forças de segurança do Comando Vermelho (CV) no Complexo do Alemão e Penha, no Rio de Janeiro, revela dois lados de uma mesma tragédia: de um lado, a violência organizada que domina territórios, aterroriza cidadãos e trava o desenvolvimento de uma cidade inteira; de outro, os policiais que arriscam suas vidas para que o resto da sociedade possa viver em paz — e que muitas vezes são apresentados como “vilões” pela grande mídia.

#O crime que sufoca a cidade

A facção Comando Vermelho, uma das mais antigas e poderosas do Brasil, surgiu nos anos 70 dentro de um sistema prisional e evoluiu para controlar vastas áreas pobres da cidade.

No interior dessas favelas, o tráfico, a extorsão, o roubo e o terror cotidiano se tornaram rotina. Moradores pobres vivem cercados por barricadas, armas automáticas, drones usados pelos criminosos e ruas fechadas — enquanto os ricos, no topo das colinas ou em condomínios de luxo, permanecem relativamente blindados.

Relatórios apontam que 61% dos brasileiros afirmam ter visto ou ouvido crimes envolvendo tráfico em seus bairros no último ano — no Brasil, a média global é 37%.

Em áreas sob o controle do tráfico no Rio, as inúmeras crianças e adolescentes sem perspectiva são recrutados para o crime — e quando uma operação como a dessa semana atinge centenas de alvos, quem sofre não são os “chefões” intocáveis, mas os moradores, taxis, apps de entrega, turistas que desviam para não entrar em favela… é o cidadão comum que perde.

#A operação — e os heróis invisíveis

Na megaoperação desta semana foram mobilizados cerca de 2.500 agentes, num confronto que terminou com 64 a 119 mortos, sendo quatro policiais confirmados entre as vítimas.

Nas palavras do governador Cláudio Castro: “De vítimas, só tivemos os policiais.” Ele se solidarizou com os quatro “guerreiros” que tombaram em combate e determinou apoio imediato às famílias dos agentes.

Esses homens e mulheres da polícia estadual representam aquilo que a maioria da mídia parece esquecer: eles entram em favelas bombardeadas, sob tiro cruzado, para que o resto da cidade possa trabalhar, estudar e viver.

A grande imprensa refoca muito nos excessos e na “violência estatal”. Mas onde estava o holofote sobre os tiros dirigidos contra motoristas de aplicativo, as escoltas de moradores pobres, os muros servindo de trincheira para traficantes, a suspensão de turismo interno por medo de incursões criminosas?

#Por que isso importa

  • Desigualdade agravada: Enquanto o morador rico fica em cobertura com segurança privada, o pobre vive sob o jugo das facções e raramente é tema de manchete.

  • Impacto no turismo e economia: A cada megaoperação, rotas são bloqueadas, escolas fecham, ônibus param — o turismo internacional que tanto o Rio busca se afasta.

  • O ciclo vicioso da impunidade: A estrutura do tráfico é complexa, como mostram os estudos — sem uma repressão firme, as operações são temporárias.

  • Homenagem aos policiais: São eles que entram primeiro, enfrentam balas, explosivos, drones — e muitas vezes voltam sem um “muito obrigado”. O silêncio da narrativa é parte da injustiça.

#É hora de a mídia parar de “passar pano”

Os que geram o terror — traficantes que matam um Uber porque entrou “na rua errada”, que armam barricadas, que dominam zonas de cidade e sulcam o futuro das crianças — raramente são alvo da crítica incisiva. A grande mídia se concentra nos efeitos, menos na causa: no crime organizado que domina praticamente “estados paralelos” em favelas.

Se queremos uma sociedade com mais segurança, dignidade e oportunidades, é preciso dar visibilidade àqueles que lutam pela lei e ordem — e apontar com clareza para quem controla os territórios dos que não têm cobertura de helicóptero ou condomínio de luxo.

Porque herói não é quem posa — é quem opera. E muitos estão nas ruas do Rio, no cerco silencioso contra o caos, enquanto boa parte da imprensa ainda foca nos tiros da polícia e esquece os tiros dirigidos contra a cidade.

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